Fiat Grande Panda: o regresso de uma lenda transalpina

Um pequeno automóvel nascido de uma grande ideia
Há nomes que não pertencem apenas a um automóvel. O Panda é um estado de espírito, um estilo de vida, quase uma personagem nacional na Itália. Quarenta e cinco anos após o seu nascimento, ressurge com os traços de um Grande Panda musculado, eletrificado e decididamente ambicioso. Uma pequena viagem pelo percurso de um citadino que vendeu mais de 7,8 milhões de unidades sem jamais se fazer passar por outra coisa.
Tudo começa em 1976, quando Carlo De Benedetti, então presidente da Fiat, encomenda a Giorgetto Giugiaro — o mesmo homem que acabara de desenhar o Volkswagen Golf — um automóvel simples, robusto e acessível. A ideia diretriz: um Renault 4 à italiana. Giugiaro resumiria a sua filosofia numa frase: «O Panda é como um par de jeans: simples, prático, sem enfeites.»
A 29 de fevereiro de 1980, Giovanni Agnelli apresenta oficialmente o Panda ao presidente da República Italiana, Sandro Pertini, espantado com o espaço oferecido por um modelo tão pequeno. Dias depois, a 5 de março, o carro faz a sua estreia perante a imprensa internacional no Salão de Genebra. O nome? Emprestado de Empanda, deusa romana protetora dos viajantes. O comprimento? Apenas 3,38 metros, com todos os painéis da carroçaria planos — incluindo o para-brisas — e um motor emprestado do Fiat 127.
O sucesso é imediato: em dois meses, a Fiat regista mais de 70 000 encomendas. Já em 1981, o Panda termina em segundo lugar no prémio de Carro do Ano na Europa, superado por pouco pelo Ford Escort Mk III. Um arranque em grande estilo para um automóvel que atravessaria décadas.
Quatro gerações, um só ADN
A primeira geração mantém-se no mercado durante 23 anos, até 2003, com 5 550 938 unidades produzidas. Um pequeno pormenor curioso: a substituta deveria inicialmente chamar-se Gingo, mas a Renault opôs-se, devido à demasiada semelhança com o nome do seu Twingo. A nova geração herda, assim, o nome da antecessora.
Esta segunda geração (2003–2011), desenhada pela Bertone, conquista o título de Carro do Ano 2004 na Europa. A terceira geração chega em setembro de 2011 ao Salão de Frankfurt e entra nos stands em março de 2012. Concebida internamente pelo Centro Stile Fiat, sob a direção de Roberto Giolito, continua a ser comercializada atualmente com o nome de Panda Classic, com 125 000 vendas na Europa em 2023, o que o torna o 25.º automóvel mais vendido, considerando todas as categorias. Nada mau para um modelo lançado durante o mandato de Sarkozy.
Mas a verdadeira surpresa é que estes dois automóveis convivem agora na mesma gama. O Panda Classic continua a sua carreira, enquanto a quarta geração — o Grande Panda — assume o testemunho com grandes ambições.
O Grande Panda: maior, mais verde, mais conectado
Revelado a 11 de julho de 2024, dia do 125.º aniversário da Fiat, o Grande Panda inaugura uma nova linguagem estilística para a marca. E os designers italianos não pouparam nas referências: passagens de roda em plástico preto, inscrições «Panda» em relevo nas portas, luzes traseiras verticais tal como no modelo original de 1980, logótipo FIAT deslocado para o lado… O neo-retro é, hoje, uma especialidade da Fiat.
Tecnicamente, o Grande Panda assenta na plataforma Smart Car da Stellantis, partilhada com o Citroën C3 de quarta geração. Mede 3,99 metros, cerca de 30 centímetros mais do que o Panda anterior, passando claramente do segmento A para o segmento B. É montado na fábrica da Stellantis em Kragujevac, na Sérvia.
A gama disponibiliza duas motorizações: um três-cilindros 1.2 PureTech híbrido de 100 cv com caixa automática e-DCS6, e uma versão 100% elétrica com um motor de 113 cv alimentado por uma bateria LFP de 44 kWh, com uma autonomia anunciada de 320 km segundo o ciclo WLTP. Os preços arrancam nos 17 900 € na versão híbrida e nos 24 900 € na versão elétrica, sem incentivo ecológico.
Números, recordes e uma ilha misteriosa
Alguns números impressionantes: somando todas as gerações, a produção do Panda ultrapassa os 7,8 milhões de unidades, das quais cerca de 4,5 milhões pertencem apenas à primeira geração.
E depois há Pantelleria. Esta pequena ilha italiana ao largo da Sicília, onde mais de 80% dos automóveis em circulação são Fiat Panda — a maior densidade de Panda do mundo. Um recorde tão absurdo quanto extraordinário.
Note-se também que o primeiro Panda 4×4 — lançado em 1983 com uma tração integral desenvolvida pela austríaca Steyr-Puch — não teve qualquer concorrente entre os construtores europeus à data do seu lançamento. Uma pequena revolução na indiferença geral.
O Panda, sempre de pé
O Grande Panda não é simplesmente um novo automóvel: é a tentativa da Fiat de conciliar a sua herança popular com as exigências de uma mobilidade moderna. A fórmula é familiar — simples, acessível, funcional — mas vestida de uma carroçaria que cita sem imitar, e de uma bateria que olha para o futuro.
Quer explorar o Grande Panda a fundo antes de passar pelo stand? Encontre as brochuras oficiais do Fiat Grande Panda assim como as do Fiat Panda Classic na Brochure Auto. E para saber tudo sobre a utilização diária, o manual de utilização do Fiat Grande Panda está também disponível online.
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