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De Tomaso: a saga flamejante de um rebelde ítalo-argentino

17 abril 2026 · 5 min de leitura
De Tomaso: a saga flamejante de um rebelde ítalo-argentino

Imagine um rico herdeiro argentino, exilado político, que chega a Modena com uma fortuna, uma esposa americana riquíssima, e uma única ideia na cabeça: desafiar Enzo Ferrari no seu próprio território. Este cenário digno de um filme é o de Alejandro de Tomaso (1928-2003), fundador da marca que leva o seu nome. Uma marca flamejante, por vezes marginal, mas sempre fora do comum — e que, em 2025, ressuscita finalmente após duas décadas de silêncio.

Nascimento de um sonho ítalo-argentino

A aventura começa em 1959 nos arredores de Modena, capital italiana do desporto automóvel. Alejandro, nascido em Buenos Aires, filho de um pai italiano ministro da Agricultura e de uma mãe pertencente a uma grande família espanhola, tinha fugido do regime de Juan Perón alguns anos antes. Piloto para a OSCA (a equipa dos irmãos Maserati), conhece Elizabeth Haskell — descendente de um cofundador da General Motors — nos 1000 Quilómetros de Buenos Aires em 1956. Paixão à primeira vista, casamento, exílio em Itália: o cenário está montado.

O logótipo que desenha para a sua jovem empresa diz tudo sobre o seu ADN: um T rodeado por um círculo, sobre fundo azul e branco, exatamente o ferro em brasa que marcava o gado do seu rancho argentino, colocado sobre as cores da bandeira nacional. Itália e Argentina, mecânica e tradição.

Vallelunga e Mangusta: os primeiros lampejos de genialidade

Durante os seus primeiros anos, a De Tomaso dedica-se às competições: monolugares de Fórmula Junior, depois uma Fórmula 1 inscrita já em 1961 e retomada em 1970 pela equipa de Frank Williams — foi aliás ao volante de uma De Tomaso que o piloto britânico Piers Courage encontrou tragicamente a morte no GP dos Países Baixos nesse ano.

Mas é em 1963, no Salão de Turim, que a De Tomaso revela o seu primeiro coupé de estrada: a Vallelunga. Uma pequena joia de 726 kg, com chassi em viga central e um motor de quatro cilindros Ford Cortina de 1,5 litros. Leve, ágil, mais próxima da filosofia Lotus do que da Ferrari.

Três anos depois, em 1966, chega o verdadeiro trovão: a Mangusta. Desenhada por um certo Giorgetto Giugiaro (então na Ghia), recebe um V8 Ford de 4,7 litros e este nome irreverente de "mangusto" — o inimigo natural da cobra, numa referência direta à Shelby AC Cobra. A assinatura De Tomaso fica assim definida: carroçaria italiana sublime, mecânica americana robusta. E, de passagem: em 1967, Alejandro compra a carroçaria Ghia, que venderia à Ford em 1970.

A Pantera, o ícone absoluto

Apresentada no Salão de Nova Iorque em 1970, produzida a partir de 1971, a Pantera é O modelo que faz a De Tomaso entrar para a lenda. Desenhada pelo americano Tom Tjaarda, abandona o chassi em viga central em favor de uma estrutura monobloco em aço — uma novidade para a marca. Sob o capô, motor central: um V8 Ford Cleveland de 5,8 litros e 330 cv, associado à mesma caixa ZF da Ford GT40. 0 aos 96 km/h em 5,5 segundos, mais de 250 km/h.

Distribuída nos Estados Unidos através da rede Lincoln-Mercury até 1975, a Pantera conquista cerca de 5500 clientes por lá (Elvis Presley à cabeça, que teria disparado com um revólver sobre a sua, irritado por ela se recusar a arrancar). No total, cerca de 7260 unidades saíram das oficinas de Modena entre 1971 e 1992, passando pelas versões GTS, GT5, GT5-S, e finalmente a SI, reestilizada por Marcello Gandini em 1990 (apenas 41 unidades).

O império de Modena

Nos anos 1970, Alejandro assume o papel de industrial insaciável. Com a ajuda da agência pública GEPI, adquire a Benelli (1971), a Moto Guzzi (1973), a Maserati em 1975 (comprada à Citroën, em plena debandada), depois a Innocenti (1976), que produzia então o novo Mini desenhado pela Bertone. Entretanto, a De Tomaso alarga a sua própria gama com a Deauville (1970), berlina de luxo pensada para rivalizar com a Jaguar XJ, e a Longchamp (1972), coupé destinado a competir com o Mercedes 450 SLC.

O eclipse, e depois a ressurreição

A história complica-se a partir dos anos 1990. Vítima de um AVC em 1993, Alejandro retira-se parcialmente. Nesse mesmo ano, a Maserati é cedida ao grupo Fiat. Seguem-se a Innocenti e a Moto Guzzi. A marca sobrevive a montar o 4×4 Simbir para a russa UAZ e produz a conta-gotas a Guara, último modelo oficial, fabricado entre 1993 e 2004. Alejandro morre em Modena a 21 de maio de 2003, e a empresa entra em liquidação no ano seguinte.

Após mais de dez anos em limbo, é um consórcio chinês, Consolidated Ideal TeamVenture, dirigido pelo hongkonguês Norman Choi (já proprietário da Apollo Automobil), que compra a marca em abril de 2015. Quatro anos depois, em julho de 2019, a De Tomaso causa sensação no Festival de Goodwood ao apresentar a P72, supercarro retro em homenagem ao protótipo P70 de 1965 (um projeto conjunto de Alejandro e Carroll Shelby).

Seis anos de desenvolvimento depois, a versão definitiva de produção foi revelada em maio de 2025. V8 5,0 litros sobrealimentado, 700 cv, caixa manual de seis velocidades, monobloco de carbono de peça única, zero ecrãs, tudo analógico. Limitada a 72 unidades a 750 000 euros cada, as primeiras entregas estão previstas para o final de 2025. O mangusto voltou de muito longe.

E agora, espaço para os catálogos!

A história da De Tomaso é a de um construtor audacioso que soube traçar o seu próprio caminho entre os gigantes de Modena. Para prolongar a viagem e mergulhar nas fichas técnicas e nas imagens de época dos modelos da marca, descubra todas as brochuras De Tomaso disponíveis no Brochure Auto. Um mergulho garantido no coração da era de ouro ítalo-americana!

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